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Nacionalizado, Golf piora, fica mais fraco e, acredite, mais caro também!

Visualmente, o Golf “made in Brazil” é idêntico aos irmãos importados, mas o coração da versão Comfotline (na foto) está mais fraco e a suspensão traseira, mais simples: mesmo assim, aumentos passam de R$ 15 mil

Visualmente, o Golf “made in Brazil” é idêntico aos irmãos importados, mas o coração da versão Comfotline (na foto) está mais fraco e a suspensão traseira, mais simples: mesmo assim, aumentos passam de R$ 15 mil

O brasileiro é um sujeito ciumento, que não leva desaforo para casa e anda revoltado com os absurdos da classe política, mas que aceita tudo o que a indústria automotiva lhe empurra goela abaixo e ainda paga caro por isso. Nacionalizado, o novo Volkswagen Golf 2016 é uma prova disso: na sua versão de entrada, Comfortline, o modelo trocou o motor turboalimentado (TSI, 1.4 litro 16V) de 140 cv pelo propulsor flexível 1.6 litro 16V, de 120 cv, o câmbio pré-seletivo DSG com embreagem dupla e sete marchas pela transmissão automática de seis velocidades, e a suspensão traseira independente pelo eixo de torção. Piorou, tecnicamente, mas encareceu nada menos que R$ 5.440 em relação à versão 2015 e, agora, parte de absurdos R$ 74.950, equipado com câmbio manual de cinco marchas – no modelo importado, eram seis marchas.

Se isso serve de consolo, todas as versões do Golf trazem sete bolsas infláveis como itens de série e a Highline (a partir de inacreditáveis R$ 92.290, contra R$ 75.830 do modelo que vinha do México), que manteve a unidade 1.4 TSI, adota sistema bicombustível e vai a 150 cv – ganhou de 10 cv, mas também trocou o sistema DSG pela transmissão automática. O modelo GTI, que segue com a motorização turboalimentada (2.0 litros 16V) de 220 cv e o câmbio DSG de seis marchas, foi o que menos mudou, mas seu preços agora partem de R$ 117.690, aumento de R$ 15.010 em relação ao modelo que vinha da Alemanha e pagava 35% de Imposto de Importação.

 

MARGENS E MENTIRAS

Por dentro, versão Highline oferece novo sistema Discover Media, com aplicativos MirrorLink, CarPlay e Android Auto, além de navegador por satélite (GPS) embarcado

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Como o leitor pode ver, o mito de que a nacionalização de um automóvel significa redução de preços é uma das maiores balelas do mundo. Na prática, as montadoras se beneficiam da menor carga tributária, empobrecem seus produtos e aumentam suas margens de lucro. Isso, obviamente, com o consenso do consumidor brasileiro que, ao invés de ficar dois, três anos sem comprar um carro novo para obrigá-las a mudar de estratégia, corre para a concessionária para garantir o seu.

Para quem gosta de conectividade, a gama agora conta com as centrais multimídia Composition e Discover Media, além da Discover Media Pro, que permitem o espelhamento da tela de smartphones através dos aplicativos MirrorLink, CarPlay e Android Auto. O navegador por satélite (GPS) embarcado só está disponível a partir do Discover Media, enquanto o Pro traz tela maior, de 8 polegadas, leitor de DVDs e memória interna de 60 GB.

Versão GTI, que agora parte de R$ 117.690, foi a que menos mudou: motor 2.0 FSI gera 220 cv e leva o esportivo de 0 a 100 km/h em 7,2 s e à velocidade máxima de 237 km/h

Versão GTI, que agora parte de R$ 117.690, foi a que menos mudou: motor 2.0 FSI gera 220 cv e leva o esportivo de 0 a 100 km/h em 7,2 s e à velocidade máxima de 237 km/h

Como dá para imaginar, a adoção do propulsor flexível 1.6 litro 16V deixou o Golf mais lento. De acordo com números da própria VW, a versão Comfortline equipada com transmissão automática (que parte de R$ 80 mil) acelera de 0 a 100 km/h em 11,6 s – contra 8,4 s do 1.4 TSI, que era importado – e alcança a velocidade máxima de 184 km/h – contra 212 km/h. Até mesmo a versão Highline, que ficou 10 cv mais potente, perdeu performance com a troca do câmbio DSG pela transmissão automática. Seus dados são: 0 a 100 km/h em 8,6 s e máxima de 204 km/h.

Como se transformou na marca da mentira, depois do escândalo da fraude das emissões, a VW aproveita para, novamente, dar uma de Pinóquio e alardeia que o novo Golf é o primeiro modelo de produção nacional em que todas as versões trazem controle eletrônico de estabilidade (ESP), com função de bloqueio do diferencial – mas isso não é verdade, já que o antigo Classe A, produzido pela Mercedes-Benz em Juiz de Fora, entre 1999 e 2005, é que teve esta primazia. A sensação que fica é a de que, no “Circo Volkswagen”, os palhaços somos nós…

6 Comments

  1. Luiz Henrique

    25 de janeiro de 2016 at 15:19

    Somos um bando de trouxas mesmo, mas o que adianta vão vir os que tem condições de comprar esse carro e vão falar só critica quem não tem condições de comprar e assim vamos nos empobrecendo literalmente e de todas as formas aos poucos.

  2. Renato Peralva

    26 de janeiro de 2016 at 00:26

    11,6 no que a própria VW diz. Os testes até agora conseguiram um melhor de 13,4 segundos, e dizem que parece fazer em 15 s.

  3. Orion Santiago de Araújo

    26 de janeiro de 2016 at 01:58

    Brasileiro em sua maioria, infelizmente, são jumentos que falam! Eu sei, é duro, e doi falar isso, mas é a verdade, como bem disseram na matéria, vai lotar de burros pra comprar essa carroça só pra tirar onda que tá rodando de “golfera zera”! E quanto ao preço, ou melhor ao roubo, que se foda! Parcela em 72 vezes, com um juro absurdo, que tá tudo bem!!!

  4. Diego Araújo

    26 de janeiro de 2016 at 22:15

    Blz. É só não comprar.
    Na minha família, temos um alemão e um mexicano! Os carros são fantásticos! Nem por isso somos cegos. Bye Bye golfao, foi bom enquanto durou

  5. Fabricio Linhares

    4 de fevereiro de 2016 at 03:41

    Kkkk 117 mil num golpe. Piada. Dá pra comprar 2 camionetes seminovas (ranger, L200, frontier, etc)no valor de 55 mil cada… Ou então um,fusion, CRV, civic, Corolla são muito mais carros dependendo do ano ainda sobra dinheiro. Volks piada

  6. Luís Carlos

    8 de fevereiro de 2016 at 22:50

    Para a nacionalização dos veículos Volks e seus aumentos de preços, o consumidor tem uma resposta simples: não comprar.

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