Carros clássicos

Acredite, eles estão entre nós (Parte 3)

A lista de modelos que chegaram às nossas ruas e estradas a partir dos anos 1990 e, ou não vingaram, ou sumiram das concessionárias e hoje são raros no trânsito é quase inesgotável. E mesmo quem sabe tudo de automóvel e é capaz de reconhecer um com direito a nome, sobrenome, motor e ano de produção costuma se surpreender de vez em quando, ao se deparar com uma “novidade”. Por isso, o Seminovos BH Notícias continua a série, resgatando algumas dessas preciosidades que, de tempos em tempos, é possível encontrar rodando bastante bem conservados, ou nos classificados do site.

Lada Samara

O leitor habitual do site sabe que a marca russa foi uma das primeiras a desembarcar no país com a reabertura das importações, apostando em modelos rústicos, de visual e mecânica antiquados, mas preço atraente. O jipinho Niva até hoje faz sucesso entre a turma do fora de estrada e é fabricado no país natal tal e qual era oferecido naqueles tempos. O 2104, que era na verdade o Fiat 128 atualizado, ganhou por aqui o nome de Laika, e foi vendido nas versões sedã e perua. Mas havia um outro, algo mais moderno, que também ganhou seu espaço: o Samara. Um hatch de duas e quatro portas com linhas quadradonas mas que, para a época, era bem mais atraente. E o quatro cilindros em linha de 1.500cc, embora não fosse nenhuma maravilha (havia também um 1.300cc), contou com a colaboração da Porsche para o desenvolvimento. O carro em si era razoável, mas os russos subestimaram a missão de oferecer manutenção e peças. Com mudanças na alíquota de imposto para as montadoras que não produziam no país, o argumento do preço deixou de valer e as vendas em queda determinaram sua aposentadoria em 1995.

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Hyundai Accent

Muito antes de pensar numa fábrica em solo brasileiro e ainda sem a força de uma montadora que hoje vende nos quatro continentes e faz sucesso nos Estados Unidos, a sul-coreana Hyundai já dava seus passos por aqui. E resolveu trazer, entre outros, seu modelo compacto, o Accent, que também era oferecido na Europa. Com um motor quatro em linha 1.5 de curiosas três válvulas por cilindro, interior básico e desenho moderninho, seguindo o que era a preferência asiática, foi trazido nas versões três e cinco portas e sucumbiu ao mesmo mal da grande maioria dos importados da época: dificuldade para encontrar peças e rede de concessionárias limitada. Mas ajudou a mostrar aos executivos da marca que valia a pena acreditar no mercado verde e amarelo, ainda que isso só fosse acontecer um bom tempo depois.

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Honda Civic CRX Del Sol

Se a Honda criou no Brasil a imagem de marca bem-comportada, urbana e formal (além de contar com uma mecânica quase indestrutível), já houve um período em que os japoneses se permitiam uma pegada mais esportiva. E um dos melhores exemplos é o pequeno Civic CRX Del Sol. Um esportivo targa (apenas o espaço sobre os ocupantes coberto por uma capota escamoteável), de dois lugares, empurrado por um mais que honesto 1.6 16V de duplo comando no cabeçote (DOHC) e 160cv, com cores vivas e peso reduzido. Não era barato (por um bom tempo se tornou símbolo de status) mas proporcionava diversão ao volante. Apesar do sucesso do modelo em todo o mundo, a Honda suspendeu sua fabricação em 1997.

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Alfa Romeo 164

Esse marcou época e ajudou a preencher o vazio deixado com o fim da produção da TI 2.300, que por muito tempo foi sinônimo de sedã de luxo no Brasil (era produzido na linha de montagem da extinta Fábrica Nacional de Motores, ou FNM, em Xerém, no estado do Rio). Já sob o comando da Fiat, a casa de Arese chegou ao Brasil trazendo o que tinha de melhor na época. Desenhado pelo estúdio Pinifarina com formas inconfundíveis, espaçoso, confortável, e com opções de mecânica que incluíam um V6 3.0 que até hoje é considerado uma joia, ele custava caro para os padrões da época (o equivalente a cinco populares), mas justificava cada centavo. Hoje ainda é possível encontrar exemplares em ótimo estado e com preços bastante atrativos – lógico que a manutenção não é das mais simples, mas não faltam oficinas capazes de cuidar da preciosidade. Outros modelos mais novos da Alfa chegaram a desembarcar no país (156, 146), mas a Fiat acabou se desinteressando em manter a marca. Decisão que, pelo visto, finalmente pode ser revista para a chegada do Giulia, “herdeiro espiritual” do 164.

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