Chevrolet

Fila no guichê da aposentadoria

O ano de 2016 marcou um recorde de lançamentos no mercado automotivo brasileiro, apesar do cenário de crise. Só que, para novos modelos chegarem, muitas vezes outros têm de sair de cena – ainda mais agora que as montadoras estão preferindo trocar a quantidade por linhas racionais de produtos, com menos e melhores opções. Pois os últimos meses e os próximos serão marcados por uma corrida para o guichê da aposentadoria. Não entendeu? É que discretamente, sem alarde, as fábricas estão tirando de linha algumas de suas opções – e tem de carros de sucesso a outros que não emplacaram (literalmente).

A Chevrolet finalmente resolveu dar um basta ao Agile, que ganhou espaço com a saída do Corsa, mas contava com uma plataforma antiquada, um desenho do tipo “ame ou odeie” e acabava tirando mercado do Onix, hoje o mais vendido do país. Curioso é que o hatch foi o primeiro a receber a restilização com as linhas atuais da casa da gravatinha na dianteira, mas nem mesmo na Argentina, onde era fabricado, justificava o investimento. E a qualidade muitas vezes deixava a desejar, tanto assim que os mais maldosos apelidaram o modelo de “Fragile”. A próxima vítima da montadora também tem os dias contados mas, no caso, será substituída por outra mais atual: a Captiva, de bons e leais serviços prestados. O SUV com motores 2.4 e principalmente o V6 3.6, fez sucesso, ganhou admiradores pelo conforto e o bom espaço interno, mas já sentia o peso dos anos – a geração vendida na Europa é outra, bem mais moderna. A GM optou então por trazer a Equinox recém-mostrada no Salão de Detroit, com linhas bem mais atuais e todas as credenciais para substituir a veterana.

A Renault finalmente vai dar descanso ao primeiro modelo da marca francesa produzido no Brasil, o Clio. Se o nome continua em alta nos mercados europeus, trata-se de uma geração bem mais moderna que a atual verde e amarela, cuja base é do começo da década de 1990, com pequenas evoluções e ajustes ao longo do tempo. Não dá pra dizer que a insistência com o “velhinho” seja um desrespeito com o consumidor brasileiro, apenas uma questão mercadológica. Como trouxe o Sandero, que no Velho Continente é oferecido com a marca da Dacia, o Clio se tornou uma opção de entrada, um “pé-de-boi” destinado a universitários e quem procurava o primeiro zero quilômetro com o orçamento limitado. Perdeu o esperto 1.6 16V e passou a ser vendido apenas com um 1.0. Com a chegada próxima do Kwid para ocupar justamente esse espaço, não fazia sentido mantê-lo em produção.

Mas quem resolveu pôr mesmo a foice para trabalhar foi a Fiat (na verdade, a FCA), que matou mais modelos do que lançou. Chegaram Toro, Mobi e Compass, saíram Palio Fire, Idea, Linea, Freemont, Bravo e Punto. O primeiro, que se valia da carroceria da terceira geração do Palio (uma das mais bonitas, aliás), perdeu a razão de ser com a chegada do Mobi e as boas vendas do Uno. A segunda, outra que sentia o peso dos anos e o baixo volume de vendas, já havia deixado as concessionárias da Europa (lá ainda é oferecida uma versão atualizada como Lancia Musa).

O Linea é mais uma vítima de um problema crônico da montadora de Betim no Brasil: depois do Tempra, que marcou época com seu motor 2.0 com injeção eletrônica, nenhum sedã médio da Fiat emplacou. O Marea tem até clube, o Linea vendeu razoavelmente, mas nunca conseguiram rivalizar com a concorrência japonesa (Corolla/Civic) – o câmbio Dualogic era o principal alvo de críticas. À espera do sedã X6S, que terá a complicada missão de mudar a opinião do consumidor, o antecessor se vai, sem deixar grande saudade. No caso do Freemont, a troca foi para melhor: o gigante importado do México com mais de duas toneladas tinha seus méritos, mas o substituto Jeep Compass, mais leve, moderno e com desenho mais harmônico, vai ocupar o espaço com sobras. O Bravo era o tradicional carro de nicho – deveria enfrentar Golf e Focus, mas não vendia como os dois, enquanto o Punto é decisão estratégica. Na Itália ele segue firme e forte e convive com o novo Tipo. Por aqui, vai dar espaço ao X6H, em fase final de testes. Seja como for, eles só desaparecem das concessionárias, mas continuam rodando por nossas ruas e estradas, que aposentadoria, quando se fala de carro, é sinônimo ainda de muito trabalho…

aposenta

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